É no momento da concepção, no achamento do espermatozóide com o óvulo, que se inicia a acção que cumprimos durante toda a vida até que a morte nos separa.Acontece, assim, a iniciação da quietude, da tranquilidade líquida semelhante à que sentimos no útero da Mãe, mas sendo esta (a morte) absoluta, primordial.A serenidade dos rostos que emana destas fotografias – que como sabemos são escritas à luz – contém uma outra luz: a luz sagrada.
A morte é indissociável à vida, coexistem em simbiose absoluta tal como o dia e a noite, a luz e as trevas.
A negação da morte conduz à negação da vida e consubstancia muitos dos conflitos dentro de nós próprios. A morte é revelação e introdução. A morte é regeneração depois da tensão permanente entre forças contrárias. A morte nesta dimensão é talvez a condição de uma vida superior noutra dimensão.
Margarida Ruas
Directora do Museu d’Água da EPAL
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